Saltar para o conteúdo

Os Trabalhadores da Vinha

Uns trabalham desde a madrugada, outros só a última hora — e todos recebem o mesmo. Uma parábola sobre a generosidade de Deus, e sobre a nossa inveja.

Ler Mateus 20, 1–16 no leitor

A aguardar revisão teológica

Antes de ler

A quem Jesus falava

Escritura

Logo antes, Pedro perguntou o que receberiam os discípulos por terem deixado tudo (Mateus 19, 27). Jesus responde com promessas, e depois com esta parábola, enquadrada pela mesma frase: os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos.

Mateus 20, 1–16

Bíblia Sagrada, trad. P.e António Pereira de Figueiredo (edição de 1866) · Domínio público

Contratados a todas as horas1O reino dos ceos he semelhante a hum homem pai de familia, que ao romper da manhãa sahio a assalariar trabalhadores para a sua vinha. 2E feito com os trabalhadores o ajuste de hum dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. 3E tendo sahido junto da terceira hora, vio estarem outros na praça ociosos, 4e disse-lhes: Ide vós tambem para a minha vinha, e dar-vos-hei o que for justo. 5E elles forão. Sahio porém outra vez junto da hora sexta, e junto da nona: e fez o mesmo. 6E junto da undecima tornou a sahir, e achou outros que lá estavão, e lhes disse: Porque estais vós aqui todo o dia ociosos? 7Respondêrão-lhe elles: Porque ninguem nos assalariou. Elle lhes disse: Ide vós tambem para a minha vinha. O pagamento8Porém lá no fim da tarde disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos ultimos, e acabando nos primeiros. 9Tendo chegado pois os que forão junto da hora undecima, recebeo cada hum seu dinheiro. 10E chegando tambem os que tinhão ido primeiros, julgárão que havião de receber mais: porém tambem estes não recebêrão mais, do que hum dinheiro cada hum. 11E ao recebello, murmuravão contra o pai de familia, 12dizendo: Estes que vierão ultimos, não trabalhárão senão huma hora, e tu os igualaste comnosco, que aturámos o peso do dia, e da calma. O teu olho é mau, porque eu sou bom?13Porém elle respondendo a hum d'elles, lhe disse: Amigo, eu não te faço aggravo: não convieste tu comigo n'hum dinheiro? 14Toma o que te pertence, e vai-te: que eu de mim quero dar tambem a este ultimo tanto como a ti. 15Visto isso não me he licito fazer o que quero? acaso o teu olho he máo, porque eu sou bom? 16Assim serão ultimos os primeiros, e primeiros os ultimos: porque são muitos os chamados, e poucos os escolhidos.

Cedo e tarde

O pai de família e os trabalhadores

Eu sou bom

O pai de família

Volta várias vezes à praça, contrata todos os que encontra, e paga aos últimos tanto como aos primeiros.

  1. 20, 6 — Porque estais vós aqui todo o dia ociosos?
  2. 20, 13 — Amigo, eu não te faço agravo
  3. 20, 15 — O teu olho é mau, porque eu sou bom?

Interpretação

Ninguém é enganado: os primeiros recebem exatamente o que combinaram. Os últimos recebem mais do que ganharam. A justiça é cumprida, e a generosidade vai além dela.

Pensa nisto

Onde recebeste mais do que merecias?

Murmuravam

Os primeiros trabalhadores

Trabalharam o dia todo ao calor, e esperavam mais.

  1. 20, 12 — Tu os igualaste connosco

História e estudos

O olho mau era uma maneira comum de falar da inveja: olhar o bem do outro como se fosse uma perda própria.

Interpretação

Como o irmão mais velho do filho pródigo, não estão fora de casa; mas medem a graça pelo mérito e não conseguem alegrar-se pelos outros.

Pensa nisto

Custa-te alegrar-te quando outra pessoa recebe a graça?

Ninguém nos contratou

Os últimos trabalhadores

Estiveram ociosos todo o dia, não por escolha, e são chamados à última hora.

  1. 20, 7 — Porque ninguém nos assalariou

Interpretação

Os cristãos viram muitas vezes neles quem chega a Deus tarde na vida, como o bom ladrão na cruz. Nunca é tarde para ser chamado.

Pensa nisto

Há alguém que deste como perdido por ser tarde demais?

O que os primeiros ouvintes teriam notado

Contexto

Jornaleiros

História e estudos

Os jornaleiros esperavam na praça que alguém os contratasse. Um dinheiro — o denário — era o salário normal de um dia, o suficiente para alimentar uma família nesse dia. A Lei mandava pagá-los antes do pôr do sol (Deuteronómio 24, 15).

As horas

História e estudos

As horas contavam-se a partir do nascer do sol: a terceira hora é por volta das nove da manhã, a sexta o meio-dia, a nona as três da tarde, e a undécima por volta das cinco — uma hora antes do fim do dia de trabalho.

Olhar mais de perto

Símbolos

A vinhaMateus 20, 1

Escritura

Nos profetas, a vinha é imagem do povo de Deus (Isaías 5, 1–7).
Um dinheiro para todosMateus 20, 9–10

Interpretação

O salário não se divide por horas: o dom de Deus é Ele próprio, e não se dá aos bocados.

Lembrar

Testa-me

Pergunta 1 de 4iniciante

Quanto combinaram receber os primeiros trabalhadores?

A pergunta seguinte