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O Bom Samaritano

Perguntado sobre quem conta como próximo, Jesus conta uma história que vira a pergunta ao contrário: de quem vais tu ser próximo?

Ler Lucas 10, 25–37 no leitor

A aguardar revisão teológica

Antes de ler

A quem Jesus falava

Escritura

Um doutor da lei — um perito na Lei de Moisés — pergunta a Jesus como alcançar a vida eterna. Ele próprio responde com os dois grandes mandamentos, o amor a Deus e o amor ao próximo. Depois, “querendo justificar-se a si mesmo”, pergunta: “E quem he o meu proximo?”

Interpretação

O doutor da lei quer uma fronteira: quem tenho de amar, e quem não? Jesus não traça a linha. No fim faz outra pergunta — qual dos três se tornou próximo do homem necessitado?

Lucas 10, 25–37

Bíblia Sagrada, trad. P.e António Pereira de Figueiredo (edição de 1866) · Domínio público

A pergunta do doutor da lei25E eis-que se levantou hum doutor da lei, e lhe disse para o tentar: Mestre, que hei de eu fazer para entrar na posse da vida eterna? 26Disse-lhe então Jesus: Que he o que está escrito na lei? como lês tu? 27Elle respondendo disse: Amarás ao Senhor teu Deos, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento: e ao teu proximo como a ti mesmo. 28E Jesus lhe disse: Respondeste bem: faze isso, e viverás. 29Mas elle querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem he o meu proximo? Um homem caiu nas mãos dos ladrões30E Jesus proseguindo no mesmo discurso, disse: Hum homem baixava de Jerusalem a Jericó, e cahio nas mãos dos ladrões, que logo o despojárão do que levava: e depois de o terem maltratado com muitas feridas, se retirárão deixando-o meio morto. 31Aconteceo pois, que passava pelo mesmo caminho hum sacerdote: e quando o vio passou de largo. 32E assim mesmo hum Levita, chegando perto d'aquelle lugar, e vendo-o, passou tambem de largo. 33Mas hum Samaritano, que hia seu caminho, chegou perto d'elle: e quando o vio, se moveo a compaixão. 34E chegando-se lhe atou as feridas, lançando nellas azeite, e vinho: e pondo-o sobre a sua cavalgadura, o levou a huma estalagem, e teve cuidado d'elle. 35E ao outro dia, tirou dous denarios, e deo-os ao estalajadeiro, e lhe disse: Tem-me cuidado d'elle: e quanto gastares de mais, eu to satisfarei, quando voltar. Qual foi o próximo?36Qual d'estes tres te parece, que foi o proximo d'aquelle, que cahio nas mãos dos ladrões? 37Respondeo logo o doutor: Aquelle, que usou com o tal de misericordia. Então lhe disse Jesus: Pois vai, e faze tu o mesmo.

Três viajantes, um homem ferido

Quem parou, e quem passou de largo

Moveu-se a compaixão

O samaritano

Um estrangeiro na sua própria viagem que para, cuida do ferido com o seu azeite, o seu vinho, o seu animal e o seu dinheiro, e promete voltar.

  1. 10, 33 — Quando o viu, moveu-se a compaixão
  2. 10, 34 — Atou-lhe as feridas, lançando nelas azeite e vinho
  3. 10, 35 — Quanto gastares de mais, eu to pagarei

Escritura

Lucas usa o mesmo verbo para a compaixão do samaritano que para Jesus diante da viúva de Naim (Lucas 7, 13) e para o pai que vê o filho voltar (Lucas 15, 20): uma compaixão sentida nas entranhas.

Tradição e devoção

Muitos Padres da Igreja, entre eles Orígenes e Agostinho, leram a parábola como imagem da salvação: o homem ferido é a humanidade, o samaritano é Cristo que desce para nos curar, e a estalagem é a Igreja. Esta leitura não substitui a ordem simples do fim — vai, e faz tu o mesmo.

Pensa nisto

A ajuda do samaritano custou-lhe tempo, dinheiro e a promessa de voltar. Quanto te custaria parar por alguém esta semana?

Passaram de largo

O sacerdote e o levita

Dois homens do Templo, próximos do serviço de Deus, que veem o ferido e passam para o outro lado.

  1. 10, 31 — Quando o viu, passou de largo
  2. 10, 32 — E assim mesmo um levita

Interpretação

A parábola não é um ataque aos sacerdotes nem ao culto. Avisa que o dever religioso pode tornar-se uma razão para não ver a pessoa que está à nossa frente.

Pensa nisto

Que razões encontras tu para passar de largo?

Fez a pergunta

O doutor da lei

Um perito na Lei que sabe a resposta certa, e quer saber até onde ela chega.

  1. 10, 27 — E ao teu próximo como a ti mesmo
  2. 10, 29 — E quem é o meu próximo?
  3. 10, 37 — Aquele que usou de misericórdia

Interpretação

No fim, não consegue dizer a palavra samaritano: diz apenas “Aquelle, que usou com o tal de misericordia.” Jesus não discute. Manda-o fazer o mesmo.

Pensa nisto

Há alguém que deixas, sem dizer, fora da palavra próximo?

Caiu nas mãos dos ladrões

O homem ferido

Despojado, espancado e deixado meio morto. Não tem nome, nem nacionalidade, nem palavras na história.

  1. 10, 30 — Deixando-o meio morto

Interpretação

Despojado e inconsciente, ninguém pode saber quem é nem de onde vem. A única coisa que importa nele é que precisa de ajuda.

Pensa nisto

Já foste tu quem ficou caído à beira do caminho? Quem parou por ti?

O que os primeiros ouvintes teriam notado

Contexto

A descida para Jericó

História e estudos

Jerusalém fica nos montes, a cerca de 750 metros de altitude; Jericó fica perto do mar Morto, uns 250 metros abaixo do nível do mar. A estrada desce cerca de um quilómetro em menos de trinta, por terra deserta e solitária onde era fácil atacar quem passava.

Um sacerdote e um levita

História e estudos

Os sacerdotes ofereciam os sacrifícios no Templo; os levitas ajudavam-nos. Tocar num cadáver tornava a pessoa ritualmente impura durante sete dias (Números 19, 11), e alguns estudiosos sugerem que os dois temeram que o homem estivesse morto. Jesus não lhes dá desculpa nem motivo: simplesmente o veem e passam de largo.

Porquê um samaritano?

História e estudos

Samaritanos e judeus partilhavam os livros de Moisés, mas adoravam em lugares diferentes, e séculos de hostilidade separavam-nos. João nota de passagem que os judeus não se comunicavam com os samaritanos (João 4, 9). Para quem ouvia Jesus, o herói da história é a última pessoa que esperariam.

Escritura

Só Lucas conta esta parábola. Pouco antes, o mesmo Evangelho contou como uma aldeia samaritana se recusou a receber Jesus (Lucas 9, 52–56).

Olhar mais de perto

Símbolos

Azeite e vinhoLucas 10, 34

História e estudos

O vinho limpava as feridas e o azeite aliviava-as: era a medicina comum do tempo, que um viajante podia levar consigo.

Tradição e devoção

A tradição cristã viu muitas vezes neles os sacramentos, pelos quais Cristo continua a curar.
Dois denáriosLucas 10, 35

História e estudos

Um denário era mais ou menos o salário de um dia de trabalho; dois chegavam para alguns dias na estalagem — e o samaritano promete mais.
Vai, e faz tu o mesmoLucas 10, 37

Escritura

A história não acaba com uma definição, mas com uma ordem: “Pois vai, e faze tu o mesmo.”

Ensinamento da Igreja

O Papa Francisco dedicou a esta parábola o segundo capítulo da encíclica Fratelli tutti (2020), chamando cada pessoa a fazer-se próxima de quem está ferido.

Lembrar

Testa-me

Pergunta 1 de 5iniciante

Para onde ia o homem quando caiu nas mãos dos ladrões?

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