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O Rico e Lázaro

Um rico se banqueteia todos os dias enquanto um mendigo jaz à sua porta. Depois da morte os lugares invertem-se — e o rico percebe tarde demais que a palavra de Deus bastava.

Ler Lucas 16, 19–31 no leitor

Aguardando revisão teológica

Antes de ler

Com quem Jesus falava

Escritura

Lucas conta que os fariseus, que eram avarentos, ouviram Jesus ensinar que ninguém pode servir a Deus e às riquezas, e zombavam dele. Esta parábola vem pouco depois.

Interpretação

O rico não é acusado de nenhum crime. O seu pecado é nunca ter visto o homem à sua própria porta.

Lucas 16, 19–31

Bíblia Sagrada, trad. P.e António Pereira de Figueiredo (edição de 1866) · Domínio público

À porta19Havia hum homem rico, que se vestia de purpura, e de hollanda: e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. 20Havia tambem hum pobre mendigo, por nome Lazaro, todo coberto de chagas, que estava deitado á sua porta, 21e que desejava fartar-se das migalhas, que cahião da meza do rico, mas ninguem lhas dava: e os cães vinhão lamber-lhe as ulceras. O grande abismo22Ora succedeo morrer este mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abrahão. E morreo tambem o rico, e foi sepultado no inferno. 23E quando elle estava nos tormentos, levantando seus olhos, vio ao longe a Abrahão, e a Lazaro no seu seio: 24e gritando elle disse: Pai Abrahão, compadece-te de mim, e manda cá a Lazaro, para que molhe em agua a ponta do seu dedo, a fim de me refrescar a lingua, pois sou atormentado nesta chamma, 25E Abrahão lhe respondeo: Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em tua vida, e que Lazaro não teve senão males: por isso está elle agora consolado, e tu em tormentos: 26e de mais, que entre nós e vós está firmado hum grande abysmo: de maneira que os que querem passar d'aqui para vós, não podem, nem os de lá passar para cá. Moisés e os profetas27E disse o rico: Pois eu te rogo, Pai, que o mandes a casa de meu pai: 28pois que tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, que não succeda virem tambem elles parar a este lugar de tormentos. 29E Abrahão lhe disse: Elles lá tem a Moysés, e aos profetas: oução-os. 30Disse pois o rico: Não, pai Abrahão: mas se for a elles algum dos mortos, hão de fazer penitencia. 31Porém Abrahão lhe respondeo: Se elles não dão ouvidos a Moysés, e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda quando haja de resuscitar algum dos mortos.

Um banquete e uma porta

O rico, Lázaro e Abraão

Jazia à sua porta

Lázaro

A única personagem das parábolas de Jesus que tem nome. Doente, com fome e ignorado, nunca fala.

  1. 16, 20 — Um pobre mendigo, por nome Lázaro, deitado à sua porta
  2. 16, 22 — Levado pelos anjos ao seio de Abraão

História e estudos

Lázaro é uma forma do hebraico Eleazar, que quer dizer Deus ajuda. Mais ninguém o ajudou.

Interpretação

É uma pessoa diferente de Lázaro de Betânia, o amigo que Jesus ressuscitou em João 11 — embora a frase final da parábola, sobre alguém que ressuscita e não é acreditado, tenha feito muitos leitores pensar nele.

Pense nisto

Quem está caído à sua porta — perto de você, mas sem ser visto?

Banqueteava-se todos os dias

O rico

Não tem nome no Evangelho; a tradição posterior o chamou de Epulão, ou Dives, palavra latina para rico.

  1. 16, 19 — Vestia-se de púrpura e de linho fino
  2. 16, 24 — Manda cá Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo
  3. 16, 27–28 — Manda-o a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos

Interpretação

Mesmo nos tormentos, ainda trata Lázaro como um criado a quem se dão ordens. Mas pensa nos irmãos, e Jesus deixa-o falar: a parábola é uma última oportunidade oferecida a quem ouve, que são os cinco irmãos.

Pense nisto

O que seria preciso para mudares antes que seja tarde?

Filho, lembra-te

Abraão

O pai do povo de Israel responde ao rico com ternura e firmeza.

  1. 16, 25 — Filho, lembra-te que recebeste os teus bens
  2. 16, 29 — Eles lá têm Moisés e os profetas: ouçam-nos

Escritura

A última palavra de Abraão é o coração da parábola: “Se elles não dão ouvidos a Moysés, e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda quando haja de resuscitar algum dos mortos.” A Lei e os profetas já mandam cuidar dos pobres.

Pense nisto

A palavra de Deus que você já tem move você a agir?

O que os primeiros ouvintes teriam notado

Contexto

Púrpura e linho fino

História e estudos

A tinta de púrpura estava entre os bens mais caros do mundo antigo, e o linho fino era roupa de luxo. Banquetear-se todos os dias, e não só nos dias de festa, marca uma vida de excesso constante.

O seio de Abraão

História e estudos

Nos banquetes os convidados se reclinavam, e o lugar de honra era junto ao anfitrião, encostado ao seu peito. Lázaro, que desejava migalhas, tem agora o melhor lugar à mesa de Abraão.

Interpretação

A parábola usa imagens do além conhecidas de quem ouvia. O seu propósito não é descrever a geografia do outro mundo, mas avisar sobre as escolhas deste.

Olhando mais de perto

Símbolos

A portaLucas 16, 20

Interpretação

Lázaro está a poucos passos. A distância entre os dois em vida é uma porta que o rico nunca abre; depois da morte torna-se um grande abismo que ninguém pode atravessar.
Os cãesLucas 16, 21

História e estudos

Os cães eram vadios das ruas, considerados impuros. Só eles se aproximam de Lázaro — o pormenor sublinha o seu abandono total.
O grande abismoLucas 16, 26

Ensinamento da Igreja

A Igreja ensina que cada pessoa decide o seu destino eterno pela resposta livre ao amor de Deus nesta vida, e que esta parábola avisa como é grave ignorar os pobres.

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Pergunta 1 de 4iniciante

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